História infantil sobre amizade com Zuca, o camaleão que muda de cor com as frutas. Descubra a cor mais bonita de todas. Conto para crianças de 4 a 7 anos.

No meio da mata, bem no meio mesmo, havia uma árvore. Mas não era uma árvore qualquer. Era a Grande Árvore Colorida, um pé de jabuticaba tão velho e tão grande que dava frutas de todas as cores. Invenção? Não! Quem morava por ali jurava que era verdade.
Lá em cima, numa forquilha do galho, morava Zuca. Zuca era um camaleão pequeno, de pele verdinha, com uma crista laranja bem pequenininha, parecida com um topete. Ele também usava um chapéu de palha que Ziza havia trazido de uma viagem. Zuca tinha cinco anos de camaleão, viu? E tinha uma mania que todos os amigos conheciam muito bem: Zuca era guloso. Guloso de verdade, mas só de frutas.
Na Grande Árvore, cada fruta tinha uma cor, e cada cor entrava no corpo de Zuca. Quando ele comia uma pitanga, plim! Ficava vermelhinho, vermelho como um tomate. Quando comia jabuticaba, plum! Ficava roxo-escuro, da cabeça até o rabinho. Havia também caju amarelo, goiaba rosa, acerola vermelhinha e muitas outras frutas coloridas. — Olhem para mim! — gritava Zuca, pulando no galho. — Hoje eu estou cor de caju! Ziza, a tucana de bico colorido, ria bem alto. Nono, o filhote de preguiça que vivia pendurado no galho de baixo, demorava bastante para rir, mas, quando ria, todo mundo achava graça.
Zuca era, sem dúvida, o rei do esconde-esconde. Ninguém conseguia encontrá-lo. Nem Nono, que tinha olhos atentos, nem Ziza, que voava baixinho para procurar. Os outros bichos se escondiam usando uma só cor, mas Zuca mudava de cor conforme o lugar. Quando encostava no tronco cinza, ficava cinza. Quando pulava para o canteiro de flores, ficava parecido com as flores. Era quase uma trapaça, não era?
Certo dia, a Coruja Dinda subiu pela árvore inteira, tocando um tamborzinho feito de casca. Esse era o jeito dela de chamar todos para uma reunião. Reunião na mata era sempre uma coisa boa. Quase sempre. — Venham, venham! — piou a coruja. — Daqui a três dias será a Festa das Cores! A mata inteira ficou muito alegre.

A Festa das Cores era o maior baile do ano. Todos enfeitavam a mata com pétalas. Havia uma grande salada de frutas, e cada bicho levava uma fruta. Também havia a roda de piadas da Coruja Dinda. No fim, acontecia o Desfile das Cores, e a estrela do desfile, todos os anos, era… — O Zuca! O Zuca! — gritaram os animais.
Zuca ficou tão orgulhoso que até estufou o peito. Fingiu que não era com ele, mas era, sim. Naquela noite, porém, Zuca não conseguiu dormir. Deitado na forquilha do galho, ficou pensando e pensando. — Todo ano eu desfilo vermelho, roxo, amarelo… Uma cor de cada vez. É bonito. Mas… e se eu quisesse a cor mais linda de todas? Talvez dourado?
Então Zuca se lembrou de uma história que a Coruja Dinda contava, meio sorrindo, meio misteriosa: — Lá no ponto mais alto da Grande Árvore existe uma fruta que ninguém nunca comeu. É a Fruta do Sol. Ela nasce dourada, brilha como uma moeda nova e se abre apenas uma vez por ano, na primeira luz da manhã. Quem comer a fruta ficará dourado por dentro e por fora.
Dourado por dentro e por fora. Zuca fechou os olhos com força. A Festa das Cores seria dali a três dias, e a Fruta do Sol se abriria na manhã seguinte. Subir até o topo seria difícil, pois o caminho era comprido, com galhos escorregadios, formigas e alguns galhos quebrados. Além disso, ninguém poderia saber de seu plano.
Quando o céu ainda estava bem escuro, Zuca abriu um olho. Depois abriu o outro. Olhou para o topo da árvore e viu um pequeno brilho balançando lá no alto. — É hoje — cochichou. — Só eu, minha barriga e a Fruta do Sol. E começou a subir.

Subir a Grande Árvore já era uma aventura. Subir de madrugada, sozinho e com a barriga vazia era ainda mais difícil. Zuca tinha deixado de comer de propósito, para guardar espaço para a Fruta do Sol. Ele subia, subia e subia. O tronco estava frio e escorregadio por causa da chuva do dia anterior.
De repente, Zuca escorregou, girou com o próprio rabo e ficou pendurado por duas patinhas e por um suspiro. — Ufa! — disse ele, enquanto subia de novo. — Foi por pouco. Mas estou bem. No meio do caminho, Zuca encontrou uma fila de formigas carregadeiras. Elas atravessavam o tronco inteiro, e cada uma levava uma folhinha sobre a cabeça, como se fosse um guarda-chuva.
Zuca, muito educado, esperou. Esperou mais um pouco. Esperou ainda mais. A fila parecia não acabar nunca. Foi então que sua barriga resolveu dar uma opinião. Bem perto de seu focinho havia uma goiaba rosinha, madura e cheirosa. — Só uma — murmurou Zuca. — É para eu conseguir continuar subindo.
Plim! Zuca ficou rosa. Mas não era um rosa qualquer. Era um rosa muito brilhante, que aparecia no escuro como uma lanterninha de festa. E adivinhe quem estava voando por perto, procurando comida naquela hora? O gavião Roncador.
Zuca ficou bem quietinho. Seu coração fazia: — Tantã, tantã, tantã. Rosa! De todas as cores possíveis, ele havia ficado justamente da cor que mais chamava atenção no meio da noite. O Roncador voou em círculos lá no alto, devagarinho. Zuca ficou parado, quase sem respirar.
Então, com uma patinha cuidadosa, alcançou um cachinho de jabuticabas que estava ao lado. — Nhac, nhac! Zuca ficou roxo-escuro e se misturou ao tronco, como uma sombra. O Roncador passou mais uma vez. Depois passou outra. Por fim, foi embora, resmungando sobre uma fruta rosa que havia desaparecido.
Zuca esperou bastante. Contou até cem. Como se perdeu na primeira contagem, contou de novo. Quando o céu começou a clarear, ele continuou a subida. O caminho era longo. Zuca passou por um galho seco, por um ninho vazio de joão-de-barro, que ele imaginou ser uma casinha de boneca, e por um beija-flor dormindo com o bico para baixo.
Ele não parou nenhuma vez. Bem… parou duas vezes, porque encontrou cajus no caminho. Mas comeu só um pouquinho, prometeu. Ficou amarelinho e continuou subindo. Até que chegou quase ao topo.
A Fruta do Sol estava ali, pendurada em um galho fino que balançava devagar. Ainda estava fechada, enrolada em uma casquinha dourada. Brilhava com uma luz quentinha e tranquila, como o sol no fim da tarde. Zuca arregalou os olhos. — É ela — sussurrou. — E será toda minha. A fruta se abriria com a primeira luz da manhã, e faltava pouco.
Zuca só precisava ajeitar a patinha e escolher o melhor lugar para dar a primeira mordida. Foi quando ouviu: — Aaaah… alguém pode me ajudar? Era uma voz baixinha, molhada de choro. Zuca esticou o pescoço para um lado e para o outro e viu Nono, dois galhos abaixo.

O filhote de preguiça estava segurando o galho com apenas uma patinha. O galho era fino e fazia um barulhinho: — Cric… cric… Nono havia subido atrás de Zuca. Talvez tivesse visto o amigo saindo e decidido acompanhá-lo, devagarinho, porque preguiça não tem pressa nem para fazer uma aventura.
Agora, Nono precisava de ajuda. — Zuca… — chamou ele, com uma voz pequena. — Estou escorregando. Lá no alto, uma sombra de asas abertas começou a voar em círculos. O Roncador também havia ouvido o choro.
Zuca olhou para a fruta. Depois olhou para Nono. A fruta se abriria com o primeiro raio de sol, e a luz já começava a aparecer no céu. Se descesse para ajudar o amigo, perderia a Fruta do Sol. Teria de esperar um ano inteiro para vê-la novamente.
Zuca ficou em silêncio por um instante. Fechou a patinha. Depois abriu. — Ah, não! — disse ele, pulando para o galho de baixo. — A fruta pode esperar. Meu amigo precisa de ajuda agora.
Zuca desceu como uma folha levada pelo vento. Passou por dois galhos, depois por três. Seu rabinho ficou preso em uma teia, mas ele girou com cuidado, conseguiu se soltar e continuou. Chegou ao galho de Nono justamente quando o barulhinho virou: — CRAC!
— Segure minha patinha! — chamou Zuca. Nono esticou a patinha, e Zuca também esticou a sua. Patinha com patinha, os dois puxaram juntos. Então o galho se partiu de vez.
— CRAC! Os dois caíram, mas Zuca segurou Nono. Eles pousaram em um galho grosso, logo abaixo, como dois saquinhos de feijão. — Ufa! — disseram os dois. Estavam seguros, e, naquele momento, isso era o mais importante.
Mas a sombra de asas se aproximou pelo céu. O Roncador voou rapidamente em direção ao galho. Zuca não teve tempo de correr. Então fez a única coisa que sabia fazer melhor do que ninguém: comeu. Foi rápido, muito rápido.
— Nhac! — Jabuticaba. O corpo inteiro ficou roxo-escuro. — Nhac! — Um pouquinho de goiaba de cada lado da cabeça. Zuca ganhou duas manchas rosas, redondas e brilhantes.

Parecia ter dois olhos enormes no rosto. Eram olhos de mentira, mas pareciam olhar e piscar na penumbra do galho. Zuca encheu o peito e soprou: — Ffffff! O Roncador diminuiu a velocidade no ar. Olhou para aquela figura estranha: um bicho roxo, do tamanho de um galho, com dois olhos grandes e brilhantes.
Ele nunca tinha visto nada parecido. E não gostou de se aproximar de algo que não conhecia. — Esta árvore está muito esquisita — resmungou o Roncador. Então voou para longe, na direção do sol.
Nono, abraçado ao pescoço de Zuca, respirou fundo. — Zuca… você me ajudou! — Não foi nada — respondeu Zuca. Ele ainda tremia um pouco, mas fingia que era por causa do frio. Nono baixou a cabeça.
— Você me viu subindo, não viu? Eu queria conhecer a fruta também. Desculpe. — Eu também peço desculpas — disse Zuca. — Eu deveria ter chamado todo mundo. Assim, poderíamos dividir as frutas do caminho. Nesse momento, os dois olharam para o alto.
O primeiro raio de sol acabava de tocar o topo da Grande Árvore. E a Fruta do Sol se abriu. Devagarinho, pétala por pétala dourada, ela espalhou um brilho morno pela mata inteira. Parecia uma pequena luz boa acendendo a manhã.
Zuca suspirou. — Eu perdi a fruta. Ele olhou para Nono, que estava seguro e quietinho em seus braços. Então sorriu. Era um sorriso meio torto, mas muito bonito. — Mas foi uma perda boa. A melhor perda do mundo.
Foi então que algo curioso aconteceu. A luz da Fruta do Sol desceu pelo tronco, passou por cada galho e chegou até Zuca. A pele de Zuca sempre mudava por fora, conforme as cores das frutas, mas, dessa vez, ganhou um brilho diferente: um dourado pequeno e delicado, que parecia sair de dentro para fora.
— É o brilho de uma boa ação — garantiu a Coruja Dinda. E coruja é um bicho que entende dessas coisas. No dia da Festa das Cores, houve uma salada de frutas enorme. Nono levou goiaba, Ziza levou acerola, e Zuca levou a jabuticaba mais bonita que encontrou.
Também houve as piadas da Coruja Dinda. Algumas foram muito engraçadas. Outras foram apenas mais ou menos. Mas ninguém teve coragem de dizer isso. Depois chegou a hora do Desfile das Cores. E adivinhe o que Zuca fez?

Ele chamou todos os amigos para desfilarem juntos. Ficou vermelho com a pitanga que Ziza lhe deu. Ficou amarelo com o caju de Nono. Durante o desfile, comeu só uma frutinha de cada cor: um pouquinho, com calma e sem exagero.
Para os bichinhos pequenos, que olhavam com os olhos bem abertos, Zuca contou: — A cor mais bonita é a que nasce quando ajudamos alguém. Essa cor não sai no banho. Ela fica para sempre. E, se um dia você passar por uma mata onde exista uma árvore com frutas de todas as cores, olhe para o galho mais alto. Se vir um pequeno brilho dourado balançando, pode apostar: é Zuca, guardando a Fruta do Sol para dividir com o próximo amigo que chegar.

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