Na Biblioteca Encantada, animais enfrentam o desaparecimento de amigos após um acidente com suco. Uma aventura sobre amizade, cuidado com livros e magia!
Faixa etária: 4-8 anos

Arthur era um coelhinho branco de seis anos, com orelhas macias que balançavam quando ele pulava e um nariz rosado que tremia de curiosidade. Ele morava na Floresta Encantada, um lugar colorido dentro de um livro gigante na Biblioteca Encantada. Todas as manhãs, Arthur acordava em sua casinha de cenouras-candy, esticava as patinhas e respirava o cheiro de papel novo e tinta de frutas. Sua roupa favorita era um colete azul com botões dourados, presente da tartaruga Tina.
” Bom dia, Floresta!” cantava Arthur, enquanto corria pelos campos de flores que cantavam melodias suaves. Ele adorava visitar seus amigos: Léo, o leão corajoso que rugia como trovão, mas tinha medo de escuro; Zé, a zebra ágil que corria mais rápido que o vento; e Tina, a tartaruga sábia que carregava uma concha cheia de histórias. Juntos, eles brincavam de esconde-esconde entre as árvores que trocavam de cor conforme as estações do livro.
Quando crianças entravam na biblioteca, Arthur sentia um formiguro mágico. ” Elas estão chegando!” anunciava ele, e todos corriam para suas páginas. As crianças abriam o livro com cuidado, e o mundo ganhava vida: as flores brilhavam, os rios cantavam mais alto, e os animais ganhavam movimentos reais. Arthur amava quando uma menina de tranças chamada Lia apontava para ele e dizia: ” Olha, o coelhinho mais fofinho do mundo!”
Numa tarde de sol, Arthur estava colhendo morangos-doces quando ouviu passos apressados. ” Rápido, pessoal! As crianças vieram mais cedo hoje!” gritou ele, pulando sobre cogumelos-almofada. Os animais se organizaram em fileiras: Léo rugiu um ” ROAR!” de boas-vindas, Zé deu uma volta rápida mostrando suas listras, e Tina acenou lentamente com sua pata. Arthur sentiu o coração quente quando o livro foi aberto. ” Esta vai ser a melhor leitura!” pensou ele, sem imaginar que, em minutos, sua vida viraria de cabeça para baixo.

O menino Pedro, de óculos redondos e suco de laranja na mão, sentou-se no tapete felpudo da biblioteca. Ele adorava o livro dos animais falantes, mas estava distraído com um jogo de adivinhações. Quando virou a página com força, o copo tilintou e… PLASH! O suco alaranjado inundou o papel como uma onda. ” Não!” gritou Pedro, tentando enxugar com a manga da camisa listrada.
Arthur viu o líquido escorrendo em direção à página do Léo. ” Cuidado!” berrou ele, mas era tarde demais. O suco molhou as bordas da página, amolecendo o papel. Quando Pedro tentou separar as páginas grudadas, ouviu-se um som terrível: RIIIP! Um pedaço da página rasgou, e com ele, Léo começou a desaparecer. Seu corpo ficou transparente, como fumaça. ” Arthur… socorro…” sussurrou o leão antes de sumir.
” O que está acontecendo?” chorou Zé, cujas listras começaram a desbotar. ” Estou ficando invisível!” Em segundos, ele também se desfez no ar. Tina tentou agarrar a borda da página rasgada com suas garras, porém suas patas atravessaram o papel. ” Adeus, amigos…” murmurou ela, e então… puff. Só restaram Arthur e três animais menores: Pica-Pau, Beija-Flor e Minhoca.
Pedro olhou para o rasgo, assustado. Colou fita adesiva, mas os animais não voltaram. Devolveu o livro à prateleira e saiu correndo. O silêncio na biblioteca era pesado. Arthur olhou para o vazio onde seus amigos estavam. Lágrimas quentes escorreram pelo seu pelo. ” Eles se foram para sempre?” perguntou Pica-Pau, bicando o ar frustrado.
Arthur enxugou os olhos com a manga do colete. ” Não! Vamos trazê-los de volta!” declarou ele, com a voz trêmula mas firme. ” Mas como?” questionou Beija-Flor, batendo as asas nervosamente. Arthur olhou para a fita adesiva inútil e teve uma ideia. ” Precisamos de algo mágico! Algo que una papel como… como poesia une palavras!” Os outros animais trocaram olhares incrédulos. Porém, naquele momento, uma luz azul começou a brilhar sob a porta da biblioteca. Era noite, e a mágica dos livros estava prestes a começar.

Quando o último fecho de luz se apagou, prateleiras inteiras começaram a tremer. ” Olhem!” gritou Minhoca, apontando com seu corpinho. Entre os livros, formavam-se pontes de arco-íris, pulsando como corações. ” São as Pontes de Histórias!” explicou Arthur, lembrando-se das histórias que Tina contava. ” Elas nos levam a outros mundos quando a biblioteca dorme!”
” Mas nunca saímos do nosso livro!” disse Pica-Pau, assustado. Arthur tomou uma decisão. ” Nossos amigos precisam de nós! Vamos!” Ele deu um salto corajoso para a primeira ponte, e seus pés patinaram num arco-íris sólido. Os outros o seguiram, tremendo. O primeiro livro que visitaram era um castelo de dragões. Fumaça quente saía das torres, e um dragão bebê espirrou flocos de algodão-doce. ” C-cola?” gaguejou Arthur. O dragão apenas soltou um rosnado adocicado.
No livro seguinte, uma nave espacial pousou num planeta de gelo. ” Tem super-cola aqui?” perguntou Beija-Flor a um alienígena de três olhos. Ele apenas apontou para um telescópio. Frustrados, eles cruzaram mais sete mundos: um oceano com sereias que cantavam ópera, uma cidade de legos onde carros voavam, e uma floresta de nuvens. Nada de cola.
” Estamos perdidos!” choramingou Minhoca, enrolando-se em bola. Arthur sentiu o desânimo tomar conta. Todavia, ao passar por um livro de receitas, ele parou. ” Esperem!” exclamou. ” Massinha de modelar! Se amassarmos nas bordas da página, talvez ela grude!” Os outros animais animaram-se. ” Onde encontramos massinha?”
Pica-Pau apontou para um livro brilhante na prateleira mais alta: “Manual de Artes para Pequenos Gênios”. ” É perfeito!” disse Arthur. Contudo, as pontes começaram a piscar. ” A mágica está acabando!” avisou Beija-Flor. Eles correram como nunca, pulando sobre pontes que se desfaziam em estrelas. Quando finalmente chegaram ao livro de artes, a última ponte desapareceu atrás deles com um pop!

O livro de artes era um festival de cores: páginas com desenhos de dinossauros de glitter, colagens de botões, e uma seção inteira de massinha. ” Uau!” suspirou Arthur, olhando para montes de massinha em formas de planetas, animais e até um castelo de sorvete. ” Agora, só precisamos pegar um pouco antes que as crianças voltem.”
Porém, havia um problema: a massinha estava dentro de “bolsas mágicas” que só abriam quando crianças as tocavam. ” Como faremos?” perguntou Pica-Pau, bicando uma bolsa vermelha em vão. Arthur observou uma ilustração de meninos modelando. ” E se esperarmos a noite novamente? Quando o livro ganhar vida, as bolsas abrirão sozinhas!”
Enquanto esperavam, exploraram o livro. Beija-Flor voou até uma página de mosaicos e fez um colar de sementes para Arthur. Pica-Pau descobriu uma página de dobraduras e construiu um barquinho de papel. Minhoca encontrou um labirinto de fios e se divertiu enrolando-se neles. Arthur, porém, não conseguia parar de pensar nos amigos desaparecidos. ” Será que estão com medo onde quer que estejam?”
Quando a luz azul retornou, as bolsas de massinha se abriram com um click suave. ” Rápido!” disse Arthur. Eles encheram um saquinho de papel com massinha de todas as cores: azul-celeste, rosa-guava, verde-limão. ” Agora, voltemos!” gritou Pica-Pau.
Entretanto, ao saírem do livro, viram algo aterrorizante: as pontes de histórias estavam mais fracas, e algumas já haviam sumido. ” Corram!” ordenou Arthur. Eles correram sobre pontes que se desfaziam como neve ao sol. Minhoca quase caiu, mas Pica-Pau a agarrou com o bico. Beija-Flor carregava o saquinho de massinha como um herói.
Quando avistaram seu livro, a última ponte começou a desaparecer. ” PULEM!” berrou Arthur. Ele saltou primeiro, rolando no chão de papel. Os outros caíram em cima dele numa pilha de patas e asas. No exato segundo em que o último fio de arco-íris se desfez, eles estavam seguros. ” Conseguimos!” comemorou Arthur, ofegante. Agora, a parte mais difícil: consertar a página.

De volta ao seu livro, Arthur liderou a corrida até a página rasgada. O buraco parecia maior e mais escuro. ” Rápido, antes que a mágica da noite acabe!” disse ele. Eles abriram o saquinho de massinha. ” Como fazemos?” perguntou Minhoca, olhando para o material pegajoso.
Arthur pegou um pedaço de massinha azul. ” Vamos amassar nas bordas, como se fosse cola mágica!” Ele pressionou a massinha no rasgo, alisando com as patinhas. Pica-Pau ajudou, usando seu bico afiado para ajustar os detalhes. Beija-Flor segurava a página no lugar com suas asas, enquanto Minhoca empurrava a massinha para dentro das frestas com seu corpinho flexível.
Trabalharam em silêncio, com a língua presa de concentração. A massinha grudava, mas o rasgo era grande. ” Não vai dar tempo!” chorou Beija-Flor, vendo a luz azul da noite clarear. Arthur pegou mais massinha rosa e verde, misturando-as num rolo. ” Juntos!” gritou ele. Eles pressionaram o rolo sobre o rasgo, unindo as páginas com força.
Quando terminaram, o sol da biblioteca já raiava. ” Esperem!” disse Arthur, e todos se sentaram em círculo ao redor da página. Por um minuto, nada aconteceu. O coração de Arthur afundou. ” Falhamos…” sussurrou ele.
Porém, de repente, a massinha começou a brilhar. Uma luz dourada envolveu o rasgo, e as bordas do papel começaram a se fundir. ” Olhem!” gritou Pica-Pau. A luz ficou tão forte que eles tiveram que fechar os olhos. Quando abriram, Léo, Zé e Tina estavam de volta, confusos mas inteiros!
” Arthur? Onde estávamos?” perguntou Léo, coçando a juba. ” Vocês nos salvaram!” abraçou Zé, envolvendo Arthur com suas listras. Tina, com lágrimas nos olhos, disse: ” A amizade é a maior mágica de todas.” Eles comemoraram com pulos e abraços, enquanto a massinha brilhava como estrelas na página reparada.

Nos dias seguintes, a Biblioteca Encantada ganhou uma nova tradição. Todas as tardes, Arthur e seus amigos reuniam-se na página reparada para contar histórias sobre sua aventura. Léo rugia detalhes dramáticos, Zé fazia imitações engraçadas do Pica-Pau, e Tina adicionava sábias reflexões. Até Pedro, o menino do suco, voltou. Dessa vez, ele trouxe um guardanapo para colocar embaixo do copo e ouviu a história com os olhos arregalados.
” Desculpe pelo acidente,” disse ele, passando a mão no rasgo coberto de massinha. ” Prometo cuidar melhor dos livros.” Arthur sorriu. ” Aprendemos que até erros podem virar aventuras!” No dia seguinte, Pedro trouxe um presente: um pequeno pote de cola mágica que brilhava no escuro. ” Para emergências!” explicou ele.
A história de Arthur espalhou-se por outros livros. Animais de contos de fadas, fábulas e até livros científicos vieram visitá-lo. ” Como conseguiram?” perguntou um esquilo de um livro de natureza. Arthur mostrou a massinha dourada na página. ” Com trabalho em equipe e coragem!”
Numa noite especial, a biblioteca realizou a “Festa da Página Reparada”. Havia suco (servido em copos com tampas!), bolos em forma de livros, e até uma apresentação de teatro onde os animais reencenavam sua jornada. Quando Arthur subiu num palco de papelão, todos aplaudiram.
” A maior lição,” disse ele, ” é que cada página, cada amigo, cada história é preciosa. Cuidar deles é cuidar da magia que nos une.” Tina completou: ” E que até um coelhinho pequeno pode fazer coisas grandes quando tem amigos ao lado.”
Dali em diante, sempre que uma criança abria o livro, os animais não apenas apareciam – eles dançavam, cantavam e faziam caretas, mostrando que estavam mais vivos do que nunca. E na página reparada, onde a massinha brilhava como um amuleto, estava escrita uma nova frase: ” Aqui mora a magia da amizade e do respeito.“
Arthur, agora um coelho sete anos (pois tempo em livros é diferente), olhava para seu mundo com orgulho. Ele havia salvo seus amigos, aprendido a valorizar cada detalhe, e descoberto que as maiores aventuras começam com um ato de cuidado. E assim, na Biblioteca Encantada, as páginas continuaram a girar, cheias de risos, cores e a lição mais importante de todas: quando nos unimos, até o rasgo mais profundo pode virar uma obra de arte.
